21/05/2017 21h10

Comandante do Exército defende intervenção militar após delação da JBS? Não é verdade!

Comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Foto: Exército brasileiro/Divulgação

Uma mensagem que circula no Facebook e em grupos de WhatsApp afirma que o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, declarou que a denúncia contida na delação premiada da JBS foi a gota d'água que faltava para que setores das Forças Armadas iniciassem uma mobilização nacional para a volta dos militares ao poder e que a intervenção no caos político tornou-se consenso entre os militares. Não é verdade.

A mensagem atribui ao general a fala: "As Forças Armadas não vão deixar o país afundar".

A falsa mensagem afirma que as declarações foram dadas na quinta (18). Nesse mesmo dia, o general se posicionou publicamente no sentido contrário. No Twitter, afirmou: "A Constituição Federal Brasileira há de ser sempre solução a todos os desafios institucionais do país. Não há atalhos fora dela!"

Um dia depois, ele se encontrou com o presidente Michel Temer e reiterou publicamente o já dito: "Estive em audiência com o presidente e reafirmei o compromisso perene do @exercitooficial com a Constituição e em prol da nossa sociedade".

O general também já afirmou outras vezes que a tese de intervenção é "absolutamente lamentável" e "um enorme desserviço à democracia".

Veja o que diz a mensagem que circula nas redes sociais.

"O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, declarou nesta manhã de quinta-feira que a bomba atômica detonada pela JBS, delatando Temer, Aécio e a compra de silêncio de Cunha foi a gota d’água que faltava para que setores das Forças Armadas, principalmente da ativa, mas também da reserva, iniciassem uma grande mobilização nacional para a volta dos militares ao poder. Villas Bôas confirma que a intervenção no caos político tornou-se consenso entre os militares do exército, marinha e da aeronáutica, contando ainda com o apoio das corporações estaduais e de boa parte da população civil. Lembra que em novembro, um grupo invadiu o plenário da Câmara dos Deputados pedindo a intervenção militar no País, foi um ponto de partida, disse ele: “preparem-se agora para os próximos capítulos!” Na sequência afirmou: "As Forças Armadas não vão deixar o País afundar! Somos responsáveis! Defendemos a Constituição, a Lei e a Ordem! Não seremos coniventes, omissos, com corruptos, canalhas, covardes e ladrões!”."Eu respondo com o artigo 142 da Constituição. Está tudo ali. Ponto". Pelo artigo 142, "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem." “Se o Presidente da República e um agente nocivo à nação, ameaça os poderes constitucionais e infringe a lei e a ordem, despiu-se ele de autoridade, merecendo, data venia, ser retirado imediatamente do poder, levado ao cadafalso”. Ele relata que passará a ignorar qualquer determinação do presidente Michel Temer e do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e avisou que a tropa encontra-se indignada, com sentimento de revolta, determinada e disposta a dar um basta nos absurdos que estão ocorrendo no país, inclusive com o fechamento das casas legislativas.

O Exército também publicou uma nota oficial na sexta (19) para esclarecer sua posição. "O Centro de Comunicação Social do Exército informa que na tarde de hoje (19 de maio), convocados pelo sr. Ministro da Defesa, os três Comandantes de Força compareceram a uma audiência com o Sr. Presidente da República, em que foi discutida a conjuntura atual. No encontro, foi destacada a estrita observância das Forças Armadas aos ditames constitucionais. O General Villas Bôas, Comandante do Exército, reafirma que a atuação da Força Terrestre tem por base os pilares da estabilidade, legalidade e legitimidade, e ressalta a coesão e unidade de pensamento entre as Forças Armadas", informa a nota.

 

Por Roney Domingos, do G1

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