28/07/2016 10h55

Lucro da Vale cai 43% no 2º trimestre, por provisão para a Samarco

Lama da Samarco muda vida marinha na foz do Rio Doce (Foto: Reprodução/TV Globo)

A Vale divulgou nesta quinta-feira (28) seu balanço do segundo trimestre. No período, a empresa teve lucro líquido de R$ 3,58 bilhões, um recuo de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre de 2016, a queda foi de 43%.

A empresa afirma que o resultado foi impactado principalmente por uma provisão anunciada na quarta-feira (27) de R$ 3,73 bilhões por conta do desastre em Mariana (MG) após o rompimento de uma barragem da Samarco, sua joint venture com a BHP Billiton, em 2015.

O Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 8,34 bilhões, resultado 8,5% acima do valor registrado no primeiro trimestre.

A empresa também informou que houve redução dos investimentos em relação ao primeiro trimestre. O valor total investido foi de US$ 1,36 bilhão, uma redução de US$ 81 milhões.

A dívida bruta teve aumento, passando de US$ 31,4 bilhões no primeiro trimestre para US$ 31,8 bilhões, com impacto cambial. Já a dívida líquida caiu de US$ 27,6 bilhões para US$ 27,8 bilhões.

Acordo após a tragédia da Samarco
A Vale listou no balanço as decisões desde o romprimento da barragem em Mariana, em novembro de 2015. A empresa lembrou o acordo assinado em março pela empresa e a BHP Billiton de R$ 20,2 bilhões com a União e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo para recuperar e compensar as regiões impactadas pela tragédia, com prazo de 15 anos.

"A Samarco, a Vale e a BHPB concordaram em instituir uma Fundação que desenvolverá e executará os programas mencionados acima, a ser financiada pela Samarco com as seguintes contribuições: R$ 2,0 bilhões (US$ 623 milhões) em 2016, R$ 1,2 bilhão (US$ 374 milhões) em 2017 e R$ 1,2 bilhão (US$ 374 milhões) em 2018", disse a Vale. A Fundação foi estabelecida em junho, com data de início planejada para 1º de agosto.

"De 2019 a 2021, as contribuições anuais para a Fundação serão de R$ 800 milhões (US$ 249 milhões) a R$ 1,6 bilhão (US$ 498 milhões), com base nos programas aprovados para cada ano. A partir de 2022, os valores anuais a serem aportados pela Samarco serão determinados com base no montante necessário para executar os programas de reparação e compensação aprovados para o respectivo ano".

A empresa aponta que também será alocado um "montante anual de R$ 240 milhões (US$ 75 milhões) por um período de 15 anos para a execução de programas de compensação e remediação, sendo que esses montantes anuais já estão incluídos nos valores das contribuições para os seis primeiros anos".

"Até o final de 2018, a Fundação fará uma contribuição de R$ 500 milhões (US$ 156 milhões) que será realizada para saneamento básico das regiões afetadas, da seguinte forma: R$ 50 milhões em 2016, R$ 200 milhões em 2017 e R$ 250 milhões em 2018."

Nesta quinta, a BHP Billiton ambém informouque irá disponibilizar uma provisão de US$ 1,1 bilhão a US$ 1,3 bilhão. O valor se refere ao montante combinado no acordo assinado em março.

Retomada das atividades
Segundo a Vale, "a Samarco não consegue estimar com segurança o tempo e a forma com que suas operações serão retomadas. No entanto, a atual avaliação da Samarco aponta que a retomada das operações em 2016 é altamente improvável".

A empresa cita que "a improvável expectativa de retorno das operações da Samarco em 2016 e o status do processo de licenciamento alteraram substancialmente as projeções de seu fluxo de caixa livre".

"Devido às incertezas quanto ao processo de licenciamento, a Vale provisionou o valor de R$ 3,73 bilhões (US$ 1,163 bilhão), equivalente ao valor presente de sua responsabilidade secundária estimada no Acordo, em suas demonstrações contábeis", informou a empresa.

"Tendo em vista a projeção atual de caixa da Samarco, é provável que seus acionistas sejam chamados a cumprir suas obrigações do Acordo e, portanto, a Vale estima contribuir em torno de US$ 150 milhões para a Fundação no segundo semestre de 2016, que serão deduzidos do valor provisionado de R$ 3,7 bilhões."

 

Karina Trevizan, do G1

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