03/12/2015 21h23

Concurso da Câmara de Dourados teve questões repetidas em provas de horários diferentes

Caso o concurso seja anulado, Câmara não terá a quem convocar e por isso deixará de exonerar servidores nomeados que o MPE pede para serem demitidos. Divulgação

O concurso público para preenchimento de 29 vagas na Câmara Municipal de Dourados apresentou indícios de irregularidades. Essa é a avaliação de candidatos que fizeram as provas e constataram, por exemplo, perguntas com respostas idênticas em avaliações aplicadas em períodos diferentes. Desta forma, de manhã já seria possível saber o que viria a ser questionado à tarde.

Isso aconteceu com uma candidata que procurou a 94 FM nesta quinta-feira (3). Sem identificar-se por razões pessoais, ela informou que na manhã do dia 29 de novembro fez a prova para concorrer à uma das 14 vagas para o cargo de Assistente Administrativo. Na tarde daquele dia, voltou à sala de aula visando a única vaga disponível para Advogado no Legislativo municipal.

Foi na segunda prova que ela percebeu a repetição de pelo menos cinco questões já respondidas na avaliação feita de manhã. Essas perguntas constam na matéria Legislação Municipal, conforme é possível ver nos cadernos de respostas aos quais a 94 FM teve acesso.


Cadernos de respostas das provas aplicadas de manhã (à esquerda) para Assistente Administrativo e de tarde (à direita) para advogado apresentam questões idênticas; a 16 é apenas uma das cinco.

 

A primeira prova começou a ser aplicada às 8h. Embora tivesse duração prevista de 4 horas, uma hora e meia após seu início, às 9h30, já era possível deixar a sala com o caderno de questões em mãos. Ou seja, pelo menos cinco questões e suas respetivas respostas que seriam aplicadas à tarde podiam ser conhecidas com 3 horas e 30 minutos de antecedência por um eventual candidato. É o caso, por exemplo, da denunciante que tentava vagas em dois cargos distintos, com provas de manhã e de tarde.

Situação semelhante a essa ocorrida em Dourados, que desrespeita o princípio da igualdade, já motivou a anulação de concursos públicos pelo Brasil, segundo a candidata que fez a denúncia. Ela pretende acionar as autoridades, MPE-MS (Ministério Público Estadual) e Defensoria Pública.

Organizado pelo Idagem (Instituto de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Gestão Municipal), o concurso público da Câmara de Dourados foi aberto após recomendação do próprio MPE, que identificou irregularidades na manutenção de cargos comissionados (ocupados por servidores nomeados) e exigiu a inclusão de efetivos, que ingressam no quadro funcional mediante concurso público.

Entre alguns candidatos que fizeram as provas, há suspeita de que o concurso foi feito com margem para anulação propositalmente. Caso seja anulado, o Legislativo municipal não terá a quem convocar, portanto não precisará exonerar os nomeados que o MPE aponta como irregulares.

No final de setembro a Casa de Leis anunciou a realização do concurso. À ocasião, informou que as provas seriam aplicadas dia 15 de novembro. No entanto, no dia 6 de outubro, data limite para as inscrições, o presidente da Câmara, vereador Idenor Machado (DEM), comunicou às pressas a prorrogação do prazo para 16 de novembro. Com isso a prova só foi realizada no dia 29 passado.

 

da 94 FM

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