28/12/2015 22h47

Promotor deixa o Gaeco e sugere existência de interesses escusos

Marcos esteve em Itaporã em junho deste ano, comandando operação do GAECO na prefeitura da Cidade. Foto: Divulgação

Está confirmada a saída do promotor de justiça Marcos Alex Vera de Oliveira do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), do qual é coordenador. Conforme nota divulgada pelo MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) na tarde desta segunda-feira (28), ele permanece no Grupo até a conclusão da investigação relacionada ao procedimento aberto para investigar as denúncias da Operação Coffee Break, em Campo Grande.

“[...] permanecerei na Coordenação do Grupo até a conclusão definitiva dos trabalhos investigativos e posterior medidas judiciais cabíveis, estando a disposição da Procuradoria-Geral para o cumprimento de todas as diligências por ela determinadas”, descreveu em nota divulgada pelo MP/MS e assinada por Oliveira.

A saída do procurador que já havia sido noticiada pela imprensa em todo Estado, porém só foi confirmada oficialmente nesta tarde. A possibilidade já havia gerado uma série de especulações, principalmente nas redes sociais, que cogitaram a existência de influência política em sua saída.

Oliveira informou em nota que sua atuação é independente e que sempre foi garantida e respeitada pela Procuradoria Geral de Justiça, representada por Humberto de Matos Brittes e de todos que compõem a sua equipe. Disse ainda que o trabalho será feito como sempre, “de forma incansável até que os fatos resultantes da “Coffee Break” sejam levados à Justiça, para a responsabilização dos envolvidos”.

Ele ainda aproveitou a veiculação da nota para “repudiar de forma veemente os ataques” que ele e o Ministério Público através de Brittes “vem sofrendo por interesses escusos de alguns, que tem atuado de forma desleal e sorrateira, através de determinados veículos de comunicação, com o nítido propósito de desqualificar a investigação e as pessoas dos investigadores, confundir a opinião pública, pressionar o Poder Judiciário e gerar instabilidade interna no MP/MS”.

O promotor encerra a nota reafirmando que “a investigação do caso “Coffee Break” é complexa, foi conduzida tecnicamente e seus resultados certamente levarão os envolvidos e responderem judicialmente por suas condutas”.

Ele também pontuou que tem a certeza que os próximos passos serão dados de forma “coesa, técnica e impessoal” pelo MP/MS, que tem “hoje e sempre suas ações voltadas à defesa da sociedade, doa a quem doer”.

PROCURADOR GERAL

Também sobre a saída de Oliveira, o Procurador-Geral de Justiça em exercício Paulo Cezar dos Passos, emitiu nota distribuída pelo MP/MS. Nesta, Passos relata que Oliveira ingressou no Gaeco em 2010, se tornou coordenador no ano de 2012 e manifestou o interesse em sair do Grupo já em dezembro de 2014, “por questões eminentemente pessoais, tendo permanecido à frente do Órgão em atendimento a uma solicitação deste Procurador-Geral de Justiça em exercício, que entendia como necessária sua permanência”, descreveu.

Passos ainda relata que em dezembro deste ano, após a confecção do relatório da Operação “Coffee Break”, o promotor manifestou “o entendimento de que havia cumprido seu ciclo” frente ao Gaeco e solicitou seu desligamento. O procurador em exercício ainda confirmou que houve acordo para permanência de Oliveira na coordenação por interesse institucional, atpe a “finalização do trabalho que vem sendo realizado na Operação “Coffee Break”, com a adoção das medidas judiciais cabíveis e responsabilização dos envolvidos”.

Ressaltou também que a confecção do relatório da “Coffe Break” “marca uma etapa interna desta operação e não a sua conclusão, tendo sido juntado aos autos do procedimento de investigação e encaminhado para o Procurador-Geral de Justiça efetuar análise e definir seu entendimento jurídico”.

Passos ainda reformou o compromisso do MP/MS com a sociedade, “na certeza de que todos os colegas envolvidos na apuração dos fatos noticiados irão agir com rigor e competência, responsabilizando os culpados no âmbito criminal e na esfera da improbidade administrativa”. Dois “novos” promotores já foram convidados para integrar o Gaeco e aceitaram, para não haver prejuízo à investigação relacionada à Operação.

O procurador ainda repudiou “veemente os ataques pessoais” que Brittes e Oliveira “estão sofrendo por interesses pouco republicanos, com ações que visam a tentar prejudicar a investigação que vem sendo desenvolvida e causar instabilidade na opinião pública”, relata.

Oliveira ficou conhecido pela investigação resultante das denúncias da Operação Coffee Break, que apura suposta compra de votos para cassar o mandato de Alcides Bernal (PP). Nessa, o Gaeco mandou prender o então prefeito da capital Gilmar Olarte (PP), nove vereadores e empresários. Ele ainda pediu a condenação de André Puccinelli (PMDB) e Nelsinho Trad (PMDB).

 

Fabiane Dorta, do Dourados News

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