27/12/2017 14h08

Juiz que suspendeu extradição de Pavão é investigado no Paraguai

Jarvis Pavão conclui hoje a pena de oito anos de prisão no Paraguai, mas habeas corpus impede extradição (Foto: ABC Color)

A instância máxima do Poder Judiciário do Paraguai iniciou hoje (27) uma auditoria no tribunal de primeira instância da cidade de San Estanislao, para investigar a decisão do juiz Crescencio Ocampos, que na terça-feira (26) suspendeu a extradição do narcotraficante brasileiro Jarvis Gimenes Pavão.

Apontado como um dos maiores fornecedores de cocaína da América do Sul na atualidade, o sul-mato-grossense natural de Ponta Porã cumpre nesta quarta-feira a sentença de oito anos por tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa em território paraguaio e poderia ser extraditado amanhã. Entretanto, o habeas corpus genérico concedido por Ocampos suspendeu o processo.

Na decisão, atendendo ao pedido de habeas corpus impetrado, no dia 22 deste mês, pelos advogados de Pavão, Ocampos afirma que a extradição fica suspensa até o julgamento final do caso na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

A investigação contra a decisão de Ocampos foi determinada ontem mesmo, horas depois de ele assinar o habeas corpus. Hoje de manhã, o diretor de auditoria do Conselho de Superintendência da Corte máxima, Mario Elizeche, viajou para San Estanislao, no departamento (equivalente a estado) de San Pedro, mas iniciar a auditoria.

À rádio ABC Cardinal, de Assunção, onde Pavão está preso, Elizeche disse que o juiz Ocampos pediu licença logo após assinar o habeas corpus em favor de Jarvis Pavão.

O promotor de assuntos internacionais do Paraguai, Manuel Doldán, questionou a competência do juiz de primeira instância, já que se trata de uma extradição internacional, o que pode facilitar uma apelação.

Já a advogada do brasileiro, Laura Casuso, disse que se trata de um recurso legal e que se a extradição for feita a Justiça estará permitindo o sequestro de um cidadão paraguaio. Pavão tem dupla nacionalidade, já que se casou com uma cidadã paraguaia e teve filhos no país vizinho.

O processo que culminou com a ordem de extradição se refere a uma condenação de 17 anos e oito meses de prisão por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa em Balneário Camboriú (SC), onde o sul-mato-grossense morava antes de se refugiar no Paraguai.

Do Campo Grande News

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