09/06/2017 22h20

Sindicato de pecuaristas dos EUA pede que Trump investigue JBS

Um sindicato de pecuaristas dos Estados Unidos, o R-CALF USA, diz ter enviado uma carta ao presidente americano, Donald Trump, pedindo uma "investigação completa" sobre a empresa e a alienação imediata de seus ativos baseados naquele país caso seja comprovado que ela construiu seus negócios de forma ilegal.

O documento de 11 páginas foi endereçado também ao presidente do Comitê de Justiça do Senado, Charles Grassley, ao procurador-geral Jeff Sessions, e ao secretário da Agricultura Sonny Perdue.

A carta cita o pagamento de propina pelo frigorífico para operar no Brasil, fato revelado pelo então presidente do conselho da JBS, Joesley Batista, em delação premiada.

O sindicato diz que vem pedindo ao departamento de Justiça americano que reforce a aplicação de leis antitruste sobre a JBS desde 2008, a cada aquisição feita pela companhia no país, mas que esses pedidos vem sendo ignorados - com exceção da tentativa de comprar a National Packing Company, que foi barrada.

De acordo com o grupo, a brasileira é a segunda maior produtora de carne bovina dos Estados Unidos, além de deter a maior empresa de alimentação animal do país. O R-CALF diz que a empresa usou essa estrutura para manipular a queda do preço do boi gordo em mais de US$ 850 por cabeça de gado entre 2015 e 2016.

O sindicato alega ainda que a empresa influnciou agentes reguladores e membros do Congresso para afrouxar regulamentações no país.

"Se for descoberto qua a JBS, de fato, construiu seu império de carne e gado nos Estados Unidos por meios ilegais, então todos os ativos detidos pela JBS no país deveriam ser imediatamente alienados", diz o texto.

Investidores
Investidores norte-americanos que compraram ações da JBS entre 2 de junho de 2015 e 19 de maio de 2017 abriram uma ação coletiva contra a empresa, segundo o escritório de advogacia Vincent Wong.

Em comunicado sobre a abertura do processo, o Vincent Wong cita o pagamento de propina a órgãos reguladores para corromper inspeções nas fábricas da empresa (pontos investigados na Operação Carne Fraca), pagamentos de propina relatados pelo presidente do conselho de administração da empresa, Joesley Batista, a políticos e lobistas, além de empréstimos irregulares recebidos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O escritório também destaca as "operações suspeitas" feitas no mercado por Joesley e seu irmão Wesley Batista, presidente do frigorífico, antes da divulgação do acordo de delação premiada feito pelos executivos da empresa e que "indicam sinais de possível informação privilegiada".

Segundo o escritório, em decorrência desses fatos, "os comunicados dos réus sobre os negócios, operações e perspectivas da JBS eram concretamente falsos e/ou faltavam fundamentos razoáveis em todos os momentos relevantes".

Outras investigações
No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM, órgão que regula o mercado de capitais no país) instaurou na terça-feira dois inquéritos administrativos contra a JBS para investigar a atuação da companhia no mercado de dólar futuro e negociações do acionista controlador com ações da empresa. As operações foram feitas dias antes da divulgação da delação premiada dos executivos da empresa, que mexeram com os mercados.

Os inquéritos foram instaurados para dar sequência às apurações iniciadas em processos administrativos abertos em 19 de maio. No total, a CVM já abriu oito processos envolvendo a JBS, após as notícias atreladas à delação de acionistas controladores da companhia.

A JBS, seus controladores e outras empresas do grupo são investigadas por uso de informação privilegiada. A JBS confirmou que comprou dólar no mercado futuro horas antes da divulgação de que seus executivos fizeram delação premiada. O dólar disparou no dia seguinte, subindo mais de 8%, o que trouxe ganhos a empresa.

Outra operação da empresa que resultou em inquérito foi a venda de ações da própria JBS pelos controladores em abril. Parte dos papéis foram recomprados pela tesouraria da empresa.

Esse movimento teria evitado uma perda de R$ 138 milhões para o frigorífico, segundo o Ministério Público Federal.

A companhia afirmou que suas operações no mercado do câmbio são avaliadas diariamente e visam a proteção financeira da empresa, que tem dívida em dólar e negócios no exterior.

Além das operações de câmbio e ações, os demais processos envolvem também transações do Banco Original, que tem os mesmos controladores, e supostas irregularidades na divulgação de fatos relevantes pela empresa. Esses processos ainda estão em análise, segundo a CVM.

Do G1

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