24/05/2017 10h47

Delator da JBS diz que PTB de MS foi "comprado" por Aécio em 2014

Depoimento de número 9, anexo 32, prestado ao MPF (Ministério Público Federal), incluído no acordo de delação premiada, homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em 5 de maio deste ano, por Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F, grupo investidor, dono da empresa JBS, sustenta que o PTB de Mato Grosso do Sul teria sido comprado com dinheiro de propina a pedido do senador afastado Aécio Neves, do PSDB, em 2014, na campanha para presidente da República.

Em troca do dinheiro, cuja soma não é revelada, o PTB de MS deveria apoiar o candidato tucano. A delação indica que Aécio Neves, concorrente que perdeu a eleição para a ex-presidente Dilma, no segundo turno, procurou Joesley Batista, um dos sócios da J&F, e pediu R$ 20 milhões, dinheiro para cooptar partidos, um deles o PTB de Mato Grosso do Sul.

Saud disse ao MPF, sem citar valor, que fez um depósito na conta pessoal de Sérgio Magno Gomes Louzada, então tesoureiro do partido, em MS. À época, o PTB regional era chefiado pelo pai dele, Ivan Louzada, hoje tesoureiro da sigla, comandada por diretório provisório, chefiado pelo ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad.

No depoimento de 32 minutos, o diretor da J&F conta que ao todo a empresa doou R$ 100 milhões ao senador afastado e que a fortuna deveria ser devolvida com benefícios fiscais ou dinheiro. A proposta foi aceita devido à possibilidade de vitória do tucano, o que não ocorreu.

Mesmo depois de receber os R$ 100 milhões, perder a eleição, Aécio, segundo o delator procurou a empresa e conseguiu pegar mais R$ 2 milhões, neste ano, por ter acumulado dívidas eleitorais.

PLANILHA
Na planilha onde aparecem as cifras entregues aos diretórios do PTB, está escrito que Sérgio Louzada recebeu um depósito de R$ 100 mil (ver acima). Logo abaixo aparecem mais dois nomes do partido – um do Amapá (Eduardo Seabra da Costa, ex-deputado) e outra de Mato Grosso (Khrisnna Magalhães Wanderley de Melo, que é advogada do partido), que também teriam recebido a propina, segundo o delator. Mais abaixo, é citado doação de R$ 1,6 milhão ao PTB, mas não dá para saber para onde foi o dinheiro.

O diretor da J&F sustenta ainda que o PTB de Mato Grosso recebeu em torno de R$ 3,4 milhões pelo acordo com Aécio. Ele não cita a importância que ao todo o partido em MS pegou para apoiar o senador afastado.

OUTRO LADO
A reportagem do jornal Midiamax tentou falar com o atual chefe do partido, Nelsinho Trad, mas ele não atendeu a ligação e não respondeu ao recado deixado. O ex-prefeito não era integrante da sigla à época do suposto recebimento irregular, parte do pacto político entre o PTB e PSDB.

Francisco Carlos Pierette, atual tesoureiro-geral do PTB regional, afirmou que Louzada pai e Louzada filho são filiados ao partido, mas não compõem a diretoria.

O tesoureiro afirmou ainda que a sigla em questão tem duas formas que atestam o recebido dinheiro vindo da direção nacional do partido: uma que arrecada recursos enviados pelo chamado fundo partidário e, noutra conta cai recurso repassado a candidatos, por exemplo. As duas alternativas são fiscalizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

"O dinheiro nunca é depositado na conta direta de alguém da diretoria do partido [Sérgio Louzada era tesoureiro do PTB em 2014]. Se o depósito caiu na conta dele é ele que deve ser investigado, não o partido", afirmou Pirette, que prometeu fazer um balanço financeiro da conta da sigla e, amanhã, quarta-feira (23), ele informa ao jornal Midiamax se houve depósito de R$ 100 mil na conta.

O jornal tentou conversar sobre a questão com Sérgio Louzada, mas o pai dele, Ivan Louzada, disse queo filho não estava em Campo Grande. "Ele [Sérgio] está viajando e não sei disso, não [depósito de R$ 100 mil]". A reportagem mandou mensagem direta no perfil de Sérgio Louzada, no Facebook, pedindo entrevista, mas ele não respondeu o comunicado até o fechamento deste material.

Louzada pai afirmou ainda que, em 2014, o PTB de MS apoiou o candidato do PT, o ex-senador Delcídio do Amaral, que perdeu o mandato por envolvimento na operação Lava Jato. "Não apoiamos o PSDB, ficamos com Delcídio", garantiu o ex-presidente do PTB de MS.

Por Celso Bejarano, do Midiamax

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