Ministério da Saúde cria novo protocolo aos portadores de HIV

08/03/2014 14:49 Saúde

O Ministério da Saúde adotou um novo protocolo de tratamento aos portadores de HIV desde dezembro passado.

A partir de agora, todos os portadores do vírus serão medicados, independentemente da carga viral ou da imunidade. A medida é baseada em estudos internacionais.

Em 2010, um estudo financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates revelou que pacientes soropositivos, se forem medicados, têm reduzida em até 92% a chance de transmitir o vírus.

Apesar da mudança de perfil de portadores do vírus no Brasil, detectada pelas notificações de 2012, a situação das populações vulneráveis e dos jovens é considerada a mais difícil.

Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, entre os homens que fazem sexo com homens (HSH) um em cada 10 é portador do HIV. Usuários de crack também se tornam vulneráveis por fazer sexo em troca da droga.

Neste grupo, seis em cada 100 estão infectados. Entre homens e mulheres profissionais do sexo a taxa de incidência é de 4,9%. Ou seja, em cada 100, cinco são portadores do vírus.

O novo protocolo do Ministério da Saúde inclui ainda a oferta gratuita de medicamento a quem, eventualmente, fez sexo sem preservativo.

Neste caso, os remédios devem ser tomados por 28 dias seguidos, após o ato sexual.

Nas populações de alta exposição, como profissionais do sexo, é possível utilizar o medicamento como profilaxia - um comprimido por dia, com uso contínuo. Os programas pilotos devem ser iniciados no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O uso profilático é uma das maiores descobertas desta década - afirma o infectologista.

Barbosa diz que atende quatro novos casos por semana de jovens homossexuais entre 16 e 25.

Meninas entre 13 e 19 anos, que não conseguem negociar o uso do preservativo com o parceiro, também estão chegando ao consultório, numa média de um a dois casos por semana.

Entre as mulheres adultas, segundo ele, a prática de sexo anal é atividade de alto risco:

Das nossas pacientes mulheres, 60% fazem sexo anal - explica.

Para o especialista, a educação sexual nas escolas é a principal medida a ser adotada pelo governo. Para ele, não adianta fazer campanha em época de carnaval.

Sexo é atividade que todo mundo faz: tem que aprender sobre sexo - diz.

Envelhecimento precoce

Com portadores de HIV sendo medicados há mais de 10 anos, o Brasil começa a entrar numa nova etapa de discussão: os efeitos dos medicamentos e da presença do vírus no organismo, ainda que a nível indetectável.

Segundo Barbosa, o vírus induz a uma inflamação permanente no organismo das pessoas soropositivas, o que faz com que sofram de envelhecimento precoce. Além de ter mais doenças associadas, muitas outras surgem antes.

Envelhecer é estar inflamado e só a ação dos remédios não bastam para conter o estresse inflamatório crônico causado pela presença do vírus. Começam a aparecer doenças cardiovasculares, insuficiência hepática e renal e osteopenia, por exemplo.

Costumo dizer aos meus pacientes: some 15 anos à sua idade. Se tem 40 anos, se cuide como se tivesse 55 - diz ele.

Barbosa diz que, atualmente, os portadores de HIV podem viver até mais do que os que são HIV negativos, pois se cuidam muito mais e têm acesso mais fácil à rede de saúde do que o restante da população.

Fonte: O Globo

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