Ex-juiz Nicolau dos Santos Neto deixa presídio em Tremembé, interior de SP

03/06/2014 10:16 Justiça
Ex-juiz Nicolau dos Santos Neto deixou a Penitenciária de Tremembé, interior de SP (Foto: Fábio França/G1).
Ex-juiz Nicolau dos Santos Neto deixou a Penitenciária de Tremembé, interior de SP (Foto: Fábio França/G1).

O ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, conhecido como "Lalau", de 85 anos – condenado por desviar desviar cerca de R$ 170 milhões da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo na década de 1990 – deixou na manhã desta terça-feira (3) a Penitenciária 2 (P2) de Tremembé, no interior de São Paulo, onde estava preso desde março de 2013.
Lalau foi beneficiado pelo indulto pleno assinado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2012. O documento concede liberdade a presos com mais de 60 anos que cumpriram mais de um terço da pena e se encontram com problemas de saúde.
"Agora ele vai continuar se defendendo. Ele cumpriu toda a pena e está com estado de saúde abalado, afirmou Celmo Pereira, advogado do ex-juiz. Celmo chegou ao predído às 10h30 e saiu com Nicolau às 10h50. Na saída, o ex-juiz saiu com os vidros do carro fechados e não falou com a imprensa.
Caso
O ex-juiz do trabalho le era, na época do desvio dos recursos, presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP).

"Lalau" está preso desde dezembro de 2000 e, segundo sua defesa, se locomove com ajuda de cadeira de rodas, tem problemas de coração e está em depressão.
No começo de 2007, o ex-juiz conseguiu que a Justiça o autorizasse a cumprir a pena em prisão domiciliar, alegando depressão. O benefício, porém, foi cassado em março do ano passado. Desde então, ele estava detido em Tremembé.
Para ganhar liberdade, o ex-juiz aguarda que o alvará de soltura chegue ao presídio. A expectativa é que ele deixe a P2 nesta terça-feira (3). "Ele deve sair amanhã [terça] à tarde. Inicialmente apenas eu vou acompanhá-lo na saída", disse Celmo Márcio de Assis Pereira, advogado do ex-magistrado.

Condenação
Além do juiz, o ex-senador Luiz Estevão e os empresários José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz e Fábio Monteiro de Barros Filho, ex-sócios da construtora Incal, foram condenados em 2006 por corrupção, estelionato, peculato (desvio de dinheiro público), uso de documento falso e formação de quadrilha. Estevão teve o mandato cassado no Senado em 2000 por conta deste episódio.
O grupo agiu nos anos 1990 superfaturando as obras do TRT paulista. Em 1999, a CPI do Judiciário apontou que o desvio foi de cerca de R$ 170 milhões. Os valores corrigidos chegam a R$ 1 bilhão. Os condenados terão que pagar multa de três vezes o valor do enriquecimento de cada um.
Em setembro de 2012, a Justiça suíça autorizou a repatriação de US$ 7 milhões bloqueados desde 1999 em uma conta do ex-juiz em um banco do país. A decisão também condenou o ex-magistrado a indenizar o Brasil em US$ 2.153.628 por causa de transferências bancárias realizadas por ele, na década de 1990.
Apesar de a condenação ter ocorrido há oito anos, apenas em 2013 o ex-juiz perdeu a aposentadoria.

Fonte: G1

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