Fraude na venda de ingressos para a Copa prejudica 300 torcedores em MS

10/06/2014 09:32 Justiça
Cleyton irá para Fortaleza sem ingresso e tentará comprar de cambistas. Marcelo Victor (Campo Grande News)
Cleyton irá para Fortaleza sem ingresso e tentará comprar de cambistas. Marcelo Victor (Campo Grande News)

Assistir um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo bem de perto. É o sonho de todo brasileiro apreciador de futebol. Mas na Capital, algumas famílias caíram em golpes do ingresso e além do Mundial ao vivo, perderam muito dinheiro e planejamento.

Em duas formas diferentes, os estelionatários ao que tudo indica, comercializaram bilhetes falsos por todo o Brasil. Em Campo Grande, uma agência de viagem “autônoma”, sem escritório fixo comercializou cerca de R$ 411 mil entre “ingressos” e pacotes de viagem, de acordo com boletim de ocorrência.

“Em setembro do ano passado recebi um email dela e fui até a casa dela. As promessas eram para pares de ingressos para a abertura e final da Copa. A empresa daqui contrata o serviço de outra no Rio de Janeiro. Os bilhetes seriam entregues em abril. E o prazo foi se estendendo até que na última sexta, a mulher da agência daqui disse que o cara da empresa de lá afirmou que não haviam ingressos”, conta o dentista Thiago Mendes, 32 anos.

No total, Mendes investiu de forma a vista, R$ 2,4 mil. E que acreditou na seriedade da proposta, pois esta empresa do Rio de Janeiro, a DMX Tours, já havia comercializado com sucesso, ingressos para a Copa das Confederações do ano passado. “Lógico que agora bateu o arrependimento, preferi tentar por um lugar que dizia ser certeza, do que passar pelos sorteios dos ingressos da Fifa (Federação Internacional de Futebol)”, lamenta o dentista.

A proprietária da empresa, Lívia Maymone Coelho Neto, registrou boletim de ocorrência afirmando ser vítima de estelionato.

“Ela é mais culpada do que vítima. Tem que provar que passou esse dinheiro para a DMX. Ela recebeu porcentagem e comissão por tudo isso”, indagou Mendes, contando que a agente afirmou que vendeu ingressos para mais de 300 pessoas na Capital.

Lívia disparou notas para clientes e para a imprensa alegando ter sido vítima do golpe. “Venho através desta, comunicar a minha empresa de turismo foi lesada pela DMX Tours, cujo representante legal é Fábio Esperança Lemos Cajuhy. Cabe constar que anteriormente, já havia fechado parcerias com este fornecedor. Assim existia credibilidade entre as partes. Obtive informações informais, que a minha empresa não é a única lesada por este fornecedor”, publicou em nota.

Outra “modalidade” de golpe, foi a que caiu o empresário Cleyton Baeve, 32 anos. Ele conta acessou o site que seria supostamente da Fifa, mas acabou direcionado para um outro endereço, com desing parecido. “Acessei, escolhi o jogo Brasil e México e no dia 9 de janeiro chegou o email pedindo para confirmar meus dados. Três dias depois pediram para confirmar o pagamento. Peguei o boleto e ainda pesquisei o CNPJ da Fifa e era correspondente as informações, então confirmei o pagamento”, conta Baeve, que além doas R$ 720 por quatro ingressos, em seguida fechou um pacote de R$ 11 mil para ir a Fortaleza.

“Agora tenho o pacote e não tenho os ingressos. Entrei em contato com a Fifa e eles falaram que não trocavam emails com torcedores e não enviavam boleto por email, ainda do banco Santander, só do Itaú”, relembra o empresário. “Mas nisso eles mentiram, pois amigos meus que compraram o ingresso oficial, interagiram por email e receberam boleto nele também”, completa Cleyton.

Baeve ingressou com ação contra a Fifa para assegurar os quatro lugares que teria direito, mas com as burocracias, só terá uma resposta após a Copa. “Agora vou viajar para lá e tentar comprar de cambistas. Consegui dois ingressos para ver Brasil e Camarões em Brasília também, mas neles gastei R$ 2,5 mil em apenas dois bilhetes”, ressalta.

O que fazer

A Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários) recebeu o boletim de ocorrência do caso. A delegada Fernanda Felix C. Mendes conta que Lívia e sua empresa, registrada como “Coelho Neto”, não possui antecedentes criminais, e que outras duas também caíram no golpe.

“Para as empresas lesadas em situação parecida, é recomendado o registro do boletim de ocorrência na Dedfaz (quando o dolo é acima 6 salários mínimos). Para os clientes lesados, nas delegacias da Depac e também acionar o Procon contra a empresa com quem assinou o vínculo”, explica a delegada, deixando claro, que mesmo que as empresas também são supostas vítimas, foram com elas que os clientes assinaram contrato.

A delegada listou outras duas empresas em Campo Grande que sofreram o golpe da DMX Tours. “Além da Coelho Neto, a Mundo Afora, com mais R$ 30 mil e outra que fica dentro do Comper Jardim dos Estados (Ares Viagens e Turismo) foram lesadas com o mesmo golpe, nenhuma tem nenhum antecedentes. Tive o conhecimento que em Cascavel-PR outra empresa também passou pela situação”, revela Fernanda.

Segundo a Dedfaz, a Polícia Civil já instaurou inquérito de um possível estelionato contra a empresa e o proprietário Fábio Esperança Lemos Cajuhy. As empresas locais, terão que provar que repassaram o dinheiro para a DMX Tours para provar que também de certa forma foram vítimas.

O Campo Grande News tentou contato por várias vezes com a empresa de Lívia e a DMX Tours, no Rio de Janeiro. Mas nenhuma ligação foi retornada até o fechamento desta matéria.

A Fifa sempre condenou a compra de ingressos por intermédio de terceiros. Recomendando sempre a compra através do seu site oficial.

A três dias para o início da Copa do Mundo, ainda há ingressos disponíveis. As informações sobre ingressos disponíveis são atualizadas, minuto a minuto, no site da Fifa.

Fonte: 94FM

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